Não considero que haja uma ciência exacta em relação a esta postura. Acredito que por muitos é vista como sinal de empoderamento, autoconfiança e segurança. Além disso, tanto os fotógrafos como os comunicadores corporativos continuam a alimentar estes estereótipos anacrónicos.
Eu contudo, como questionadora rebelde já conhecida, pergunto ... Será que braços cruzados em fotos corporativas são mesmo boas ?
Na minha opinião, e lá está, é só mesmo a minha opinião, não, não são. Além de as considerar um clichê totalmente ultrapassado ( e achar que nem toda a gente os sabe cruzar ), como é que tal postura que se tornou tão banal faz de nós seres diferenciados se todos saem nas fotos da mesma forma ?!
Sim, é verdade que esta postura, neste caso, pose, não é percepcionada por toda a gente da mesma forma, existem inúmeros factores, tais como culturais, ambientais, étnicos e até fisiológicos que podem ter influencia na mesma.
O meu desconforto em relação a esta pose, não se prende tanto aos mitos que se prendem a ela, como segurança ou insegurança, tentativas de superioridade ou inferioridade, frio, calor... Isso são só julgamentos nossos que podem ou não condizer com a verdade.
O que me "preocupa" é a falta de criatividade de tanta gente, num mundo que está em constante mudança, será que esta é a única forma de mostrar que somos profissionais sérios e de confiança? Ou será apenas uma foto igual a milhares de outras que fazem de nós mais uma ovelha qualquer no meio do rebanho que ficou parado no tempo? Fala-se tanto de disrupção e no entanto continua-se sempre na roda do rato, a girar a girar e não ir a lado nenhum...
Se calhar é hora de abandonar o mindset primitivo que faz o cérebro reconhecer tal pose como uma posição de poder. Primitivo sim, na natureza, o urso fica em pé para atacar, o pavão abre a cauda e o homem estufa o peito, (e para isso necessita cruzar os braços) , eleva o queixo com o intuito de parecer maior do que é. É uma métrica primitiva de enfrentamento/ empoderamento, não é à toa que, desde o super-homem ao Tarzan usam essa posição, fazem-no exactamente para se mostrarem e parecerem maiores e mais fortes do que realmente são.
Entretanto, nos dias que correm, onde as pessoas processam informações em milissegundos nas redes sociais e afins, e onde lutamos por romper com sistemas opressores e derrubar barreiras anti-inclusivas, se alguém me perguntasse, recomendaria que abandonássemos estes símbolos que não nos levam ao futuro desejável de uma sociedade mais harmoniosa, humana, colaborativa e criativa.
Felizmente, acredito que estamos a evoluir (ainda que muito lentamente) para uma nova Era da Gestão, que exige uma transformação profunda e quebre os actuais paradigmas.
As nossas organizações, muitas delas padecidas, necessitam de segurança psicológica, de empatia, cultura de colaboração, flexibilidade, a tal da criatividade novamente, entre outros tantos factores. É fundamental enterrar o modelo de liderança autocrática, da micro-gerência, da eterna imagem da perfeição e poder inquestionável que é tão bem transmitido pela foto do líder poderoso de braços cruzados, olhar altivo, invulnerável e excessivamente confiante.
Não, ninguém quer líderes que transmitam fraqueza, incerteza, insegurança, mas e quanto à irreverência? A audácia, a inovação ? Todos queremos estar numa organização que olhe para a frente...
Por agora, deixo registrada a minha opinião para todos os executivos, líderes, empreendedores, executivos, jornalistas, fotógrafos.. está na altura de nos atirarmos de cabeça à transformação e da adopção de um novo estilo... E para que a imagem fique coerente com essa essência, na próxima foto, descruze os braços, abra um sorriso e mostre a sua essência mais humana!
- "Caminhemos de mãos dadas, braços abertos e uma inabalável fé no porvir." -
