Há 4 anos atrás escrevi algures por aqui que: " Fala-se em mudança, disrupção, nos millenials, no entanto continuamos a trabalhar nos mesmos moldes que há 100 anos atrás" , e volvidos esses mesmos 4 anos onde dois deles foram em contexto de pandemia verifico que muitas organizações estão extremamente resistentes às mudanças que a pandemia forçou...
Ultimamente tenho estado atenta a algumas organizações, umas até de grande porte, que se encontram em processo de recrutamento massivo.
Qual o meu espanto, quando verifico que 99% das mesmas exige que todas as entrevistas, testes etc. sejam efectuadas presencialmente (excluindo mesmo candidatos que por motivos diversos só o podem fazer digitalmente).
Se há coisa que aprendemos com a pandemia é que a nível organizacional (onde não haja necessidade de intervenção física e directa com o objecto de trabalho), há muito pouca coisa que não possa ser feita online, entrevistas e testes não são uma delas. Sou Psicóloga e valorizo o contacto Humano, mas como Psicóloga Organizacional valorizo igualmente a eficácia e eficiência.
Sei que todos os processos de transformação causam uma sensação de desconforto, medo do que é incerto. O Ser Humano é por natureza conformista, gosta de estabilidade, daquilo que lhe é conhecido e confortável, daí a adoptar uma postura de inércia que dificulta a adopção de novas metodologias de trabalho.
É no entanto inegável que as organizações que não enfrentam essas mudanças acabam por não sobreviver no actual mercado competitivo, logo é primordial que haja modificações na sua estrutura, nas suas estratégias e modus operandis.
Não nos podemos esquecer que a nova classe trabalhadora já nasceu no meio da tecnologia, onde tudo é feito de forma digital. Querer contratar um jovem que gere toda a sua vida através de um telemóvel e dizer-lhe que para trabalhar para a empresa X será necessário fazer um teste em papel, é como se lhe estivéssemos a dizer que irá participar numa Feira Medieval sendo ele um Tesla Bot (O mais recente robot humanoide da Tesla), em resumo, simplesmente não encaixa, nem lhe fará sentido, e por este "pormenor" pode a organização estar a perder um grande activo, simplesmente porque logo de início o mesmo não se irá rever no modo arcaico de funcionamento da mesma.
Evitar encarar as situações de mudança prejudica não só a própria empresa como o profissional que acaba estagnado em modos obsoletos de trabalho.
É preciso inovar, seguir as novas correntes, modernizar, tornar o trabalho mais prático e eficiente.
Estas mudanças, a meu ver, têm de começar com a Gestão de Topo, aquela onde toda a organização se espelha, é esta que deverá liderar a mudança e fazer ver os benefícios de tornar a organização mais digital, ágil, inovadora. São estes que deverão motivar e incentivar o uso das novas tecnologias no dia-a-dia laboral de forma a optimizarem o seu próprio trabalho.
Muitas vezes esta resistência também poderá acontecer porque as pessoas têm medo de não saber fazer, de errar, neste sentido é importante garantir que independentemente da idade do colaborador ele está em condições de aprender a fazer diferente, e isto consegue-se tão simplesmente com acções de formação (também elas inovadoras e dinâmicas, não a mesma chatice clássica de sempre).
É preciso mudar, as mudanças tecnológicas são cada vez mais inevitáveis e são factores preponderantes para a sobrevivência da empresa, e lembre-se: " A concorrência não vai esperar que você se adapte, simplesmente passará à frente!"