Quando começamos a trabalhar numa organização, antes de qualquer coisa, é fundamental saber como nos posicionar em relação a ela. No meu ponto de vista, chegar com a nossa “bela personalidade” e esperar sucesso — sobretudo se ocupamos um cargo de liderança — é, certamente, um tiro no pé.
Não se trata de sermos falsos ou escondermos a nossa verdadeira essência. Trata-se de maturidade emocional e visão estratégica: saber agir perante determinado grupo, saber fazer-se compreender e, principalmente, compreender a dinâmica humana daquela organização.
É por isso que falo em avaliação do ambiente de trabalho e não apenas de clima organizacional.
Refiro-me a “ambiente” como a forma de estar das pessoas: como se comunicam, como percebem a realidade, como gerem a informação ao seu redor. Só com essa leitura é possível comunicar de forma assertiva com todos os que nos rodeiam e, mais do que isso, tomar decisões eficazes.
Um dos maiores erros ao assumir uma posição de liderança é achar que devemos chegar com uma postura de arrogância ou intimidação, como se isso fosse suficiente para ganhar o respeito da equipa e garantir resultados. A meu ver, essa postura, além de ultrapassada, não leva a lado nenhum. Pode até ser necessária pontualmente — e apenas com quem a exige —, mas não é eficaz como estratégia contínua de liderança.
Mais do que saber ouvir, é necessário saber escutar activamente e posicionar o leme sempre que for preciso, pensando no bem comum. Quando compreendemos o “modo de ser” de determinada organização, torna-se muito mais fácil navegar dentro dela. Evitam-se choques desnecessários e, em geral, alcança-se o que se pretende — não pela imposição, mas pela conexão.
Porquê? Porque as pessoas se sentem ouvidas, compreendidas e, sobretudo, valorizadas. Tão simples quanto isso.
Adoptar boas práticas de liderança não é apenas uma questão de escolha pessoal, mas um compromisso com o desenvolvimento colectivo. Liderar com escuta ativa, empatia, coerência e visão estratégica é um exercício diário que exige autoconhecimento e constante adaptação. Se queremos verdadeiramente inspirar, transformar ambientes e alcançar resultados sustentáveis, precisamos estar dispostos a aprender com cada contexto, reconhecer os talentos à nossa volta e criar pontes — não muros. Liderar é servir com propósito, e os bons líderes são aqueles que deixam um legado de crescimento, não de temor.
- Por que a leitura do ambiente é o primeiro passo para liderar com propósito e eficácia-
