Há empresas que parecem mapas… mas são mais
labirintos.
Não falta movimento. Não faltam pessoas
ocupadas. Não falta decisão atrás de decisão.
O que falta, muitas vezes, é direção.
E sem direção, até o melhor esforço vira
desperdício elegante.
Há empresas onde toda a gente anda ocupada…
menos a estratégia.
Agendas cheias, reuniões em cascata, decisões
em piloto automático. Parece tudo muito profissional… até ao momento em que se
percebe que ninguém sabe, ao certo, para onde está a ir.
E não, isto não começa cá em baixo.
Começa no topo.
A estratégia não nasce no meio. Não surge
espontaneamente nos corredores, nem se resolve em reuniões operacionais com
powerpoints bem alinhados.
A estratégia começa no topo. É ali que se define o “para onde”, o “como”, o
“porquê” e, sobretudo, o “até onde estamos dispostos a ir”.
Quando quem lidera não tem clareza… ou não tem
coragem de assumir um caminho… ou pior, muda de direção conforme o vento… a
organização entra num estado curioso: trabalha muito, mas não constrói nada
sólido.
É quase coreográfico. Bonito de ver ao longe.
Caótico quando se aproxima.
Uns puxam para a esquerda. Outros insistem na
direita. Há quem corra para a frente.
E no fim… ninguém sai do sítio.
Uns correm atrás de prioridades que já não
existem. Outros tentam adivinhar o que o líder quer ouvir.
E há ainda os mais experientes… que já
perceberam o padrão e simplesmente esperam a próxima mudança de rumo.
Ninguém diz. Mas todos sentem.
E depois vêm os sintomas que já conhecemos bem:
decisões inconsistentes, prioridades voláteis, equipas cansadas de remar sem
ver terra firme.
Não é falta de competência.
É falta de norte.
Porque a verdade é esta: as equipas não
precisam de saber tudo.
Mas precisam de sentir que alguém sabe.
Precisam de confiar que existe uma linha, mesmo
que não vejam o mapa completo.
Precisam de coerência, de intenção, de um fio condutor que dê sentido ao
esforço diário.
E depois
vêm as perguntas clássicas:
- “Porque é que as equipas estão desmotivadas?”
- “Porque é que as coisas não avançam?”
- “Porque é que parece que estamos sempre a recomeçar?”
A resposta é desconfortavelmente simples.
Não se lidera uma organização com indecisão e
egos vestidos de estratégia.
Estratégia
não é reagir. Não é ajustar todos os dias. Não é dizer “vamos ver no que dá”.
Estratégia
é escolher.
E escolher implica abdicar.
Implica manter o rumo… mesmo quando aparecem
distrações bem vestidas de oportunidade.
Mas isso exige uma coisa rara: posicionamento.
E é aí que muitas lideranças falham.
Porque
enquanto o topo hesita… a base paga o preço.
Em desgaste.
Em frustração.
Em talento que, silenciosamente, começa a desligar-se.
Liderar não é apenas decidir.
É escolher um caminho… e ter a coragem de o
sustentar.
Porque uma organização sem estratégia clara é
como um barco em mar aberto, com motores potentes e tripulação experiente… mas
sem bússola.
Pode até impressionar pela velocidade.
Mas cedo ou tarde… vai perceber que andou em
círculos.
E tempo, energia e talento… são recursos
demasiado caros para serem gastos assim.
