Há já algum tempo que tento retomar a uma das minhas
preferidas capacidades, arranjo sempre alguma desculpa, para não o fazer, ou
não tenho tempo, ou estou cansada, ou não sei por onde começar ou simplesmente
não sei por qual dos tópicos começar. Quando na verdade sei que basta pegar
numa caneta que escrevo sobre qualquer coisa, nem que seja sobre... nada...
Estou a regressar aos meus hábitos, sem filtros... sem
desculpas, sobre o que me vier à cabeça (liberdade de expressão existe).
Neste momento, apetece-me escrever sobre gestão e liderança (ou falta dela) e
como isto afecta o colaborador. Sou formada em Psicologia das Organizações, sou
da Escola do Sr. Carl Rogers, somos centrados nas pessoas, os números para nós
vêm em segundo plano, mesmo porque não há números sem pessoas, acho que esta
até é uma equação bastante simples, pelo menos para alguns.
Espanta-me que em pleno sec. XXI, ainda não se consiga
perceber que as organizações são as pessoas, que a cultura uma organização é
feita pelas pessoas que a compõem e não por um número limitado de pessoas que a
tenta impor, a cultura organizacional não é estática, nada em organizações é
estático. Pode talvez ser cómodo para muitos esta estaticidade, principalmente
quando existe uma certa limitação e/ou sentimento de ameaça para quem não sabe
como se movimentar dentro de outra realidade que não aquela que conhece.
Contudo, esta estaticidade, esta mesmice, causa às mentes
mais ávidas de desafios, desmotivação, frustração.
Quando o líder acha que tem um colaborador fidelizado, tem na
verdade um colaborador que só ali está por ainda não ter para onde ir, até que
chega o dia e ele questiona: porquê? Mas não estava tudo bem?
Nada está bem quando está parado, quando não muda, quando não
se desenvolve, quando não há perspectivas, quando se calam vozes pertinentes.
Quando se cultiva a cultura da coerção bem disfarçada de
colaboração voluntária ou disponibilidade.
Quando há uma agenda e há mais imprevistos impostos no
dia-a-dia que horas possíveis de trabalho e quando no meio de tudo isto há
horas de descanso obrigatórias por lei, há horas de descanso obrigatórias por
bom senso, há filhos que quando os pais saíram de casa ainda não se tinham
levantado e quando chegam já estão a dormir, há esposos à espera dos seus
cônjuges simplesmente porque têm direito às suas companhias.
Nada estará bem enquanto não se perceber o que é urgente e o
/os que podem esperar pelas 08h00 do dia seguinte.
Nada estará bem enquanto não se perceber que o equilíbrio e
organização de todas as partes é necessário ...
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